Dramalhão pesado, O Homem Elefante baseia-se no caso real de Joseph Merrick (no filme chamado de John), que sofria de uma doença que lhe desfigurava completamente o rosto. Mostrado em feiras como uma curiosidade (monstro, aliás, etimologicamente, vem daí: é aquilo que se mostra; monstrare em latim), é resgatado por um médico que, movido primeiro meramente por um interesse clínico no seu caso, acaba por desenvolver uma real compaixão para com a situação de John, que se revela, de resto, profundamente culto e intruído. O filme relata a relação dos dois e o processo de aceitação (ou não) de Merrick na sociedade.
O FILME:
Altamente bem sucedido, a segunda longa-metragem de Lynch foi nomeada para oito Óscares, incluindo Melhor Filme, Melhor Actor e Melhor Montagem. A caracterização de John Hurt (Merrick) era de tal forma impressionante que a Academia resolveu, daí em diante, instituir um Óscar para o Melhor Make-up (tudo tem uma história). Vencedor do BAFTA para Melhor Filme, O Homem Elefante é louvado como um dos melhores de Lynch e a deixa (também tagline) "I'm not an animal! I'm a human being!" é frequentemente listada entre as melhores falas de sempre.
Até ao Natal corremos o nosso ciclo dedicado a grandes realizadores. O nosso objectivo foi, tanto quanto possível, escolhendo dois filmes de um realizador importante, mostrar como este podia produzir obras assaz diversas. Não significa isso, de modo algum, que tenhamos então, de forma fácil, escolhido, para cada realizador, uma comédia e um drama; apenas quisémos proporcionar dois olhares distintos sobre a obra, permitindo ao espectador entender a complexidade do homem e do seu trabalho. É essa multiplicidade de géneros e abordagens que, no fundo, define um grande realizador. O primeiro escolhido: Lynch.
A HISTÓRIA:
O filme centra-se na personagem de Alvin Straight (o que proporciona a brincadeira do título original: The Straight Story - Uma História Simples mas também A História de Straight), que, depois de saber que o seu irmão - de quem há muito se desligara emocionalmente - sofreu um avc, resolve ir visitá-lo, na esperança de conseguir falar com ele antes que morra. Alvin, um veterano da II Guerra Mundial, não tem, contudo, devido à sua insuficiência motora e a problemas de visão, possibilidade de ter uma carta de condução, pelo que resolve fazer toda a longa viagem de 240 milhas num pequeno tractor de relva. O filme acompanha a sua odisseia e os seus múltiplos encontros pelo caminho.
O FILME:
Filme profundamente atípico dentro da filmografia lynchiana (foi distribuído pela Walt Disney, imagine-se!), Uma História Simples estreou em Cannes e é a única película de Lynch cujo próprio não escreveu. Richard Farnsworth foi nomeado para o Óscar de Melhor Actor - perdeu aí, mas ganhou o Independent Spirit Award pela sua comovente e verídica encarnação de Straight.
O REALIZADOR:
Resumir Lynch em poucas palavras é difícil. Homem ds sete ofícios, realizador, argumentista, músico, pintor, ele é o responsável por Twin Peaks, série que, por sua vez, é responsável por todas as boas séries que tivémos/temos esta década (a começar por Lost, cujos criadores se ajoelham perante o mistério da morte de Laura Palmer). Realizador de culto, li um dia num qualquer blogue de cinema (perdoe-me o escriba cujo nome não lembro agora) que a sua cabeça devia ser como a Disneyland, mas ao contrário. Criador de filmes estranhos, oníricos e profundamente pessoais e inesquecíveis, é o responsável por obras como Mulholland Drive (2001) e Inland Empire (2006), apenas para referir os seus dois mais recentes sucessos. A sua consagração, porém, aconteceu com Blue Velvet/Veludo Azul, em 1986. Várias vezes nomeado para o Óscar, ganhou a bem melhor Palma de Ouro com Coração Selvagem (1990). Entendam-se estas linhas como apenas uma introdução à personagem: ao cinéfilo deixamos a tarefa de descobrir essa peculiar, mas fundamental obra.
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