sábado, 16 de fevereiro de 2008

18/02: "A Comunidade", de Álex de la Iglesia (2000) - Apresentação

ESTE ERA, dos três cineastas que escolhemos, o único que me era desconhecido. O César foi o primeiro a propôr o filme, depois das suas investigações, e eu, depois das minhas, confirmei a vontade de o pormos na lista dos eleitos para exibição. Devo confessar, a poucos dias de o passarmos, que estou deveras curioso: custa-me que, já como o Tese, seja pouco provável que esteja no entanto lá quando for exibido. Uma coisa é certa: nenhum ciclo, até agora, me tinha desperto tanta curiosidade como o espanhol - quem adivinharia tal coisa?

A HISTÓRIA:
Num velho edifício no centro de Madrid, Julia, uma agente imobiliária, encontra 300 milhões de pesetas debaixo de uma laje em casa de um vizinho falecido. Os vizinhos, porém, sabendo da existência de tal soma, irritados por ter sido ela a primeira a pôr-lhe as mãos em cima, tudo farão para recuperarem o montante. Julia vai ter de lidar com a ira deles e o jogo da apanhada começa.

O FILME:
O filme teve um sucesso moderado no mercado doméstico. A crítica recebeu-o bem e arrecadou ainda alguns troféus, especialmente pelas interpretações dos seus actores, nomeadamente Carmen Maura, a protagonista, que recebeu o Goya de Melhor Actriz, e Emilio Gutiérrez Caba, que recebeu o de Melhor Actor Secundário. Apesar de só ter vencido estes (e o de Melhores Efeitos Especiais), foi nomeado para praticamente todas as restantes categorias. De la Iglesia arrecadou também a sua quota de prémios como realizador da metragem, especialmente no Festival de Cognac de Filme Policial. Outros galardões noutros festivais distinguiram quer a cinematografia quer a banda-sonora da fita.

O REALIZADOR:
Álex de la Iglesia nasceu em Bilbao em 1965. Tendo cursado Filosofia na Universidade de Deusto, cedo começou a trabalhar no domínio da banda desenhada. Com Jose Guerricaechevarria, com quem, desde o começo da amizade dos dois, escreve todos os argumentos dos seus filmes, redigiu o guião da sua primeira curta, Mirindas Asesinas (1991), cujo enredo prenuncia já a sua futura filmografia. Lança-se na aventura da realização de longas-metragens com Acción Mutante (1993). Segue-se El Dia de la Bestia (1995), Perdita Durango (1997) e Muertos de Risa (1999). Todos estes filmes são fiéis ao estilo que o próprio escolheu para si, repletos de uma extravagância despejada em doses se humor negro, tendo como base o género policial e o do terror. É em 2000 que realiza La Comunidad. O seu último filme, The Oxford Murders, estreado este ano, conta com actores como Elijah Wood e John Hurt nos principais papeis e é um salto para a produção de filmes em língua inglesa. O seu próximo projecto tem o enigmático, mas altamente promissor e cómico título Think About Disney. Encontra-se em produção.

O TRAILER:

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Sugestões Ciclo Cinema Italiano

ITÁLIA VIRÁ. Ao longo do mês de Março, exploraremos essa cinematografia tão rica que é a italiana, incansável cartola de surpresas: ainda ontem vi o dilacerante Mamma Roma (1962), de Pasolini, o génio. Como já fizémos aquando do ciclo espanhol, oferecemos aqui a oportunidade de os leitores sugerirem filmes para o ciclo a-vir. É certo que, neste caso, todos nós na régie palpitamos de ideias, mas, mais uma vez, obras há certamente que nós nem nunca sonhámos e pode ser tristeza perdê-las. Por isso, (repetindo as palavras), sugiram o que bem vos aprouver, conquanto:

1) o filme seja falado em italiano;
2) o filme seja de um realizador italiano;
3) o filme seja uma produção ou co-produção de Itália.

Se simplesmente não tiverem o tempo, a vontade e a disponibilidade de irem ao IMDB verificar se o filme que têm já em mente para sugerir preenche estes requisitos todos, não se preocupem: escrevam, que nós depois logo o consideraremos.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

11/02: "Tese", de Alejandro Amenábar (1996) - Apresentação

"NUESTROS HERMANOS" nos visitam este mês, como já fora anunciado. Tal como sucedera com o ciclo brasileiro, foi com certo espanto que constatei a dificuldade de obter em terras lusas algumas obras do cinema espanhol, mesmo se a missão, desta vez, se revelou mais fácil. Os filmes deixados de lado logo os recomendaremos aqui aquando do encerramento oficial do ciclo. De Espanha, nem bons ventos nem bons casamentos: mas bons filmes, certamente. No casting de fitas, não podia faltar uma embaixada de Amenábar, cineasta de carreira feliz. Resolvemos regressar aos seus começos, como quem escreve uma história ab ovo (mesmo se Horácio o desaconselha). Eis pois uma curto BI do bicho.

A HISTÓRIA:
Tese é uma história sobre a violência televisiva, a pornografia e o cinema «snuff» ou a máxima manifestação do terror em imagens. A progressiva desmistificação dos velhos tabus sociais como o sexo, a morte ou a dor, difundidos massivamente através dos meios de comunicação, torna complicado fazer um filme que pretende precisamente chamar a atenção para este facto, visto que tudo, ou quase tudo, já foi visto pelo espectador. Por isso optou-se por não mostrar essas cenas. O espectador vê os personagens consumindo imagens de um modo quase patológico, mas nunca vê essas imagens. A força do filme radica nos diálogos e na música. Castiga-se assim o público, que antes de mais nada quer: ver.
O filme ensaia, evitando um tom didáctico, uma reflexão sobre o futuro do mercado audiovisual: a pressão mundial exercida pelo cinema norte-americano, exemplo máximo do cinema industrial, submetido aos interesses económicos; a difusão crescente do cinema «snuff» (em que as pessoas são assassinadas realmente em frente à câmera) através de circuitos de vídeo; a legitimação da violência nas notícias na TV; o domínio absoluto da imagem em deterimento da literatura; a individualização do espectador através da televisão e do vídeo; a sua insensibilização perante a imagem cruel e a sua perda de contacto com o o mundo real.
Acreditamos que Tese é um filme interessante e necessário, por ser um dos primeiros que trata directamente o tema do «snuff» e porque o seu estilo, triste e por vezes trepidante, é uma proposta pouco frequente no cinema espanhol.
(adaptado deste site)

O FILME:
Tese ou Tesis, no original, data de 1993 e é a primeira longa de Amenábar e conheceu, desde logo, um sucesso retumbante. Considere-se que foi nomeado para oito Goyas, os prémios máximos do cinema espanhol, e venceu em sete categorias, entre elas Melhor Argumento, Melhor Montagem, Melhor Novo Realizador e Melhor Filme. Foi nomeado para o prémio máximo do nosso Fantas e ganhou mesmo o troféu maior noutro festival de cinema fantástico e de terror, o Festival Internacional de Filme Fantástico de Bruxelas. A actriz principal foi também distinguida noutras homenagens. Sendo uma estreia, com a mão-cheia de prémios que facilmente arrebatou, só se podia ler aqui o prenúncio de um grande nome.

O REALIZADOR:
Alejandro Amenábar nasceu em 1972, no Chile, mas foi para Espanha apenas com um ano de idade. Frequentemente realizador e argumentista, simultaneamente, ele é também compositor, tendo a sua banda-sonora para La Lengua de las Mariposas, de José Luis Cuerda (1999) recebido inclusive uma nomeação para os Goya. Depois de duas curtas (Himenóptero (1992) e Luna (1995)), Amenábar realizou Tese, consolidando-se como um profissional do thriller. Em 1997 filma Abre Los Ojos, com Penélope, película que inspiraria mais tarde o bem sucedido Vanilla Sky, também com a mesma Penélope. Em 2001, The Others, com Nicole Kidman, a sua estreia na direcção de filmes de língua inglesa, corre extremamente bem, sendo o filme galardoado com uma série de distinções, inclusive o Goya de Melhor Filme, o segundo do realizador, que, porém, repetiria o feito ao vencer em 2004 com Mar Adentro, com Javier Bardem, filme que gozou de grande projecção internacional e virtude do seu tema: a eutanásia. A fita venceu mesmo o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, entre muitos outros prémios. De momento, não se sabe ainda qual será o próximo projecto do realizador, mas não se torna difícil adivinhar que, se não desonrar os seus predecessores, será também uma grande peça de cinema.

TRAILER: