sexta-feira, 7 de novembro de 2008

11/11: "A Dama de Xangai", de Orson Welles (1947) - Apresentação

A HISTÓRIA:
Michael O'Hara, um marinheiro (interpretado por Welles), é contratado como membro da tripulação do iate de um abastado advogado, Banister (Everett Sloane). A mulher deste, a bela mas misteriosa Elsa (Rita Hayworth), já travara conhecimento com O'Hara, que a havia salvo de ser assaltada, aquando da chegada desta a NY. O casal encontra-se a caminho de São Francisco via Canal do Panamá. O que se segue é uma complicada intriga, em que O'Hara, apesar da sua inocência, se vê acusado de assassínio. O argumento, aparentemente simples e até curriqueiro (quantos filmes já não partiram da premissa do homem falsamente acusado?), esconde na realidade uma estória intrincada, que os espectadores nem sempre têm facilidade em perceber, pela sua complexidade (ou simplesmente, como já alguém argumentou, porque Welles, preocupado com os aspectos técnicos e a beleza das imagens, pura e simplesmente não deu ao guião a atenção necessária).

O FILME:
Incursão de Welles pelo bom género do film noir, o filme merece que se conte a sua lenda. Estando, na altura, a trabalhar numa adaptação cómica da Volta ao Mundo em 80 Dias para teatro, Welles, que precisava urgentemente de dinheiro, telefonou ao presidente da Colombia Pictures, pedindo $55.000, prometendo, em troca, escrever, realizar e produzir um filme para ele gratuitamente. Na ocasião, sob a pressão do momento, sugeriu que o filme fosse baseado no livro que a empregada da bilheteira se encontrava a ler na altura - A Dama de Xangai - que ele próprio, de resto, nem sequer lera antes. Diga-se de passagem que os estúdios da Colombia Pictures não ficaram muito satisfeitos com o resultado final, cortando cerca de uma hora da versão original do realizador. Mas a estória do filme não termina: supostamente parte desses cortes ficaram a dever-se ao caso Dália Negra (conhecido de muitos graças ao penúltimo De Palma), pois parece que várias dessas cenas cortadas faziam referências a um caso semelhante (isto continua a acontecer: a estreia de V for Vendetta (2006) foi adiada por causa dos atentados de Londres).

O REALIZADOR:
Orson Welles (1915-1985) é considerado universalmente um dos maiores génios de sempre da sétima arte, com Citizen Kane (1941) - a ser exibido pelo CADC Cinema já na próxima semana, dia 4/11 - a ser considerado repetidamente por muitos críticos como o melhor filme de sempre (discordamos, mas reconhecemos a tremenda genialidade da obra). Welles é também conhecido pela maioria das pessoas pela sua celebérrima adaptação radiofónica da Guerra dos Mundos, de H. G. Wells, que pôs meia américa a fugir de uma falsa invasão de marcianos. Com uma personalidade larger-than-life, o seu breve casamento com Rita H., foi particularmente mediático. Mau grado o seu sucesso póstumo, a verdade é que, em vida, foi sempre um outsider, tendo sempre de lidar com problemas de falta de dinheiro ou estúdios patetas e caprichosos. Welles não foi muito feliz, de facto, e acabou a vida obeso como um pavaroti. As suas obras e sua lenda, porém, continuam, inspirando todo aquele que delas se aproxima.

O TRAILER (não é grande espingarda, mas dêem o desconto: acham quem em 1947 eles sabiam fazer trailers?)

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